quarta-feira, 14 de março de 2018


O entrar e o sair de uma relação.

Por Fatima Aguiar da Silva


(Foto: Chello Fotógrafo/Futura Press/Estadão Conteúdo)



Algumas pessoas acreditam que relacionamento é como um ônibus que passa a toda hora; um ônibus que se pode entrar e sair quando quiser, apenas levantar o braço e pegar o próximo ônibus que passar.

E aquele que inicia um relacionamento dessa forma, um  atras do outro, como quem pega um ônibus sem se preocupar aonde irá, tende a ficar mais perdido, mais infeliz e esperançoso que a solução venha no relacionamento seguinte... Este já fica ansioso para o próximo, nem aproveita ao relacionamento em que se encontra, nem curte a viagem ou aprende um caminho.

Imagine: eu começo uma relação com uma pessoa... por começar... depois algo acontece e eu me separo dessa pessoa sem crescer com aquilo que me incomoda. Em seguida, eu começo um relacionamento com outra e assim vou seguindo... sem saber onde quero ir e onde essas relações vão me levar, sem aprender nada com elas e apenas reclamando da viagem anterior.

Como quem pega“ônibus”; sem olhar a direção ou destino final, nem me pergunto por onde vai ou poderia passar... eu apenas entro e “vejo onde vai dar”, como uma "loteria". Perdido.

E mais tarde, quando eu me vejo perdido e peço pra sair ou sou obrigado a descer, eu descubro que estou cada vez mais longe do meu ponto de origem e ainda mais distante de onde quero chegar... 
Ficando cada vez mais perdido, mais emaranhando e mais infeliz... 

Muitas pessoas se cansam de se aventurar e um dia falam: "cansei de buscar, vou ficar aqui mesmo"; e vivem reclamando da sua própria viagem, reclamam tanto que nem aprendem nada sobre ela. Só criticam de forma rabugenta.

Então,  antes de embarcar na próxima viagem... Agradecer ao anterior por ter te deixado descer em paz e deixá-lo também em paz. 

Somente com o coração agradecido e reconhecendo a importância daquele que passou, podemos ser liberados.

É por essa razão, cada relação precisa terminar "no" ou "num" ponto final. 


E esse ponto final é onde ambos decidem em seu coração que querem seguir sem o outro, sem levar mágoas, rancores, sem denegrir o outro... levando apenas agradecimento profundo e sincero pela viagem compartilhada. 


Somente desta forma, no próximo ônibus, poderei dizer: “ estou livre e eu quero ir para esse ou aquele lugar, você vai pra lá também?” 

E ingressar na nova viagem sem mágoas e livre para apreciar a vista e o trajeto.


Meus agradecimentos sinceros aos tantos que me ofereceram cia nessa viagem que é a vida. Mesmo que breve.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Trecho do Livro " As ordens do Amor" de Bert Hellinger.

A identificação inconsciente com um parceiro anterior dos pais













"UTE: Como é possível que uma filha se identifique com uma ex-mulher do pai, que ela não conheceu?

HELLINGER: Não é necessário conhecer as pessoas com quem nos identificamos. Com efeito, a pressão que leva à identificação provém do sistema e atua sem que saibamos coisa alguma sobre as pessoas que precisamos representar. Assim, se houve um relacionamento anterior intenso do pai com outra mulher, podemos tomar como ponto de partida que uma filha irá imitar essa mulher e representá-la na família, sem ter consciência desse fato. E, se houve uma relação anterior intensa da mãe com outro homem, podemos pressupor que um filho irá imitar esse homem e representá-lo na família, igualmente sem estar consciente desse fato.

Assim, a filha torna-se rival da mãe, sem que a filha e a mãe saibam por que, e o filho torna-se rival do pai, sem que o filho e o pai conheçam a razão. A pressão que sofre uma filha para representar, por identificação, uma mulher ou amante anterior do pai, cede quando sua mãe presta reconhecimento a essa mulher, na qualidade de parceira anterior de seu marido, colocando- se, porém, conscientemente, entre ambos e tomando-o plenamente como seu marido. Contudo, independentemente do comportamento da mãe para com a anterior mulher ou amante do pai, a filha pode livrar-se dessa identificação, logo que dela tome conhecimento, dizendo à sua mãe, mesmo que só interiormente:

“Você é minha mãe, e eu sou sua filha. Só você é a verdadeira para mim. Com a outra não tenho nada a ver.”
E dizendo a seu pai, mesmo que só interiormente:
“Esta é a minha mãe, e eu sou filha dela. Só ela é a verdadeira para mim. Com a outra não tenho nada a ver.”

Então a filha pode amar a mãe como sua mãe, e a mãe pode amar a filha como sua filha, sem recear nela a sua rival. Então a filha pode também voltar- se para o pai e amá-lo como seu pai, e o pai pode voltar-se para a filha a amá-la como sua filha, sem buscar nela também uma ex-mulher ou ex-amante.


O mesmo vale para o filho. A pressão que sofre, para representar por identificação um antigo marido ou amante da mãe, cede se seu pai presta reconhecimento ao ex-parceiro dela, na qualidade de parceiro anterior, e não obstante coloca-se conscientemente entre ambos, tomando-a plenamente como sua mulher. Mas, independentemente do comportamento do pai em relação ao ex-marido ou ex-amante de sua mulher, o filho pode livrar-se de sua identificação, logo que dela tome consciência, dizendo ao pai, mesmo que só interiormente:
“Você é meu pai e eu sou seu filho. Só você é o certo para mim. Com o outro, não tenho nada a ver.”

E dizendo à sua mãe, mesmo que só interiormente:
“Ele é meu pai e eu sou seu filho. Só ele é o verdadeiro para mim. Com o outro não tenho nada a ver.”

Então o filho pode voltar-se para seu pai e amá-lo como seu pai, e o pai pode voltar-se para seu filho e amá-lo como seu filho, sem recear nele um rival. Então o filho pode também voltar-se para sua mãe e amá-la como sua mãe, e a mãe pode voltar-se para o filho e amá-lo como seu filho, sem procurar nele seu antigo marido ou amante.


A identificação inconsciente com um antigo parceiro dos pais pode eventualmente levar a uma psicose, principalmente quando, na falta de uma moça disponível, um filho precise representar uma ex-parceira do pai, ou inversamente, quando uma filha, na falta de um rapaz disponível, precise representar um ex-parceiro da mãe."




"As Ordens do Amor" , Bert Hellinger, Editora Atman

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A dupla transferência e a atração dos campos de outros sistemas semelhantes.

Dupla transferência e interconexão dos sistemas:



"Muitas vezes, no sistema, tomamos partido de nossos ancestrais e, junto com isso,  atraímos para nós, outros sistemas com destinos semelhantes". (Fátima A. da Silva)
Abram o seu coração e mergulhem no caso abaixo...
Vale a pena!


Veio ao consultório uma mulher casada, 35 anos. A cliente relatou um ódio desproporcional do marido, aparentemente sem um motivo real, pegando pequenas atitudes dele e transformando em algo "inadmissível" e "ofensivo" conforme palavras da própria cliente.

Por outro lado, não tinha coragem de se divorciar e nem de permanecer casada.
Ela disse que "simplesmente, não sei o que fazer".

Relatou a dificuldade em ficar perto do marido, em morar na mesma casa, abandonando o marido e se mudando para  outra cidade, visitando-o periodicamente e fazendo promessas de que um dia eles morariam juntos outra vez, atitude que ela sempre adiava.

Na cidade atual a cliente se envolveu com um rapaz num  relacionamento extra-conjugal, abortando,inclusive, espontaneamente um bebe do amante, segundo a cliente a relação  também começou a demonstrar movimento de ódio, mesmo com ele sendo "o outro".

Além do seu sistema familiar, dentro da dinâmica, ela relatou uma preocupação e culpa, tanto com o marido, quanto com o amante:

O marido vive com problemas na coluna e estômago e apresentou problemas cardíacos em uma de suas visitas, ele diz que sonha com o dia em que ela, finalmente, irá morar outra vez com ele.

O amante desenvolveu câncer no estômago após o aborto espontâneo. Mesmo após seguidas tentativas de rompimento, o amante sonha com o dia em que ela finalmente se separá e viverá com ele e terão dois filhos (ou filhas).

Ao colocar o Marido e o amante, lá estava a cliente. imóvel, olhando para os dois, e dizia se sentir como um "pêndulo" ora para um lado, ora apar o outro.

Uma representante para a mãe não mudou muito a dinâmica.

Até que colocamos a avó.

Quando perguntamos o que aconteceu com a avó, a cliente contou a trajetoria.

A avó se casou com um homem que não foi aceito pela família de origem, sendo obrigada a mudar de cidade, a avó teria sido deserdada e  um dos seus irmãos teria tomado para si qualquer direito que ela viesse a ter após o falecimento dos pais.

Durante o casamento,  avó se submeteu durante anos a um caso extra conjugal do marido.
De acordo com os relatos de uma tia da cliente, ele sumia e voltava de tempos em tempos, ora ficava com a amante, ora com a mãe.
relatou inclusive que a amante teria batido a porta da avó para entregar o marido em uma de suas brigas.

Depois de uns anos nessa situação, a avó apresentou problemas mentais e foi internada em uma clínicas pela família, onde teria recebido choques, banhos gelados, medicamentos e nunca mais voltou a realidade, nos últimos anos de vida parecia sempre desconectada.

O avô passou o resto dos seus dias com a amante.

Os 3 morreram idosos, as mortes foram em sequencia:
A amante, o avô e avó , que na velhice chegaram a morar na mesma casa por um pouco de tempo, aos cuidados dos filhos.

Durante a constelação, foi constatada a lealdade da neta com a avó.
Desde a infância se sentia excluída da família.
Casou-se com um homem de outra cidade (causando afastamento físico de sua família)  

A agressividade nos relacionamentos amorosos sempre fizeram parte da sua trajetória. Ficaram mais evidente após o casamento. A raiva tratava-se de uma identificação a dor da avó.

Em contrapartida, o adultério foi um movimento de amor e identificação com o avô.

Configurando assim a dupla transferência. Por amor a avó a cliente permanece com os dois e por amor ao avô ela espera que o destino (a doença da avó) leve um dos homens, assim ela não precisa decidir.

O final trágico da avó parece estar diretamente conectado também aos destinos dos homens com quem ela se envolveu.

Os homens que se relacionam com a cliente, também aceitaram o destino de doença como provável o final trágico.  Esses reproduzidos e conectados pelo seu próprio meio familiar;

A cliente relatou uma devoção doentia e compulsiva tanto do marido,quanto do amante para com ela.

Os homens parecem estar conectados através das dores de seu próprio sistema.

No caso do marido, ela relatou que a sogra foi abandonada pelo sogro e afirmou que nunca superou o abandono, apresenta ideias fantasiosas de que um dia ele vai voltar. Mesmo tendo se casado com outra há mais de 25 anos.

 A mãe do amante também teve um caso extra conjugal onde foi amante por anos, este teria sido o amor da vida dela.

Observamos como os destinos estão conectados e em como nós entramos em destinos semelhantes ao nosso.

Agora que foi trago a luz, a avó, o avô e a amante acolhidos e honrados no coração da cliente, a ordem foi estabelecida.

A cliente, foi pedido que espere até que a solução se manifeste.

É necessário um tempo para que o campo atue, mudando o destino dessas três pessoas.



Este foi um atendimento realizado em 17/07/2017 - na Cidade do Rio de Janeiro.

O entrar e o sair de uma relação. Por Fatima Aguiar da Silva (Foto: Chello Fotógrafo/Futura Press/Estadão Conteúdo) Alguma...