sexta-feira, 25 de agosto de 2017


Trecho do Livro " As ordens do Amor" de Bert Hellinger.

A identificação inconsciente com um parceiro anterior dos pais













"UTE: Como é possível que uma filha se identifique com uma ex-mulher do pai, que ela não conheceu?

HELLINGER: Não é necessário conhecer as pessoas com quem nos identificamos. Com efeito, a pressão que leva à identificação provém do sistema e atua sem que saibamos coisa alguma sobre as pessoas que precisamos representar. Assim, se houve um relacionamento anterior intenso do pai com outra mulher, podemos tomar como ponto de partida que uma filha irá imitar essa mulher e representá-la na família, sem ter consciência desse fato. E, se houve uma relação anterior intensa da mãe com outro homem, podemos pressupor que um filho irá imitar esse homem e representá-lo na família, igualmente sem estar consciente desse fato.

Assim, a filha torna-se rival da mãe, sem que a filha e a mãe saibam por que, e o filho torna-se rival do pai, sem que o filho e o pai conheçam a razão. A pressão que sofre uma filha para representar, por identificação, uma mulher ou amante anterior do pai, cede quando sua mãe presta reconhecimento a essa mulher, na qualidade de parceira anterior de seu marido, colocando- se, porém, conscientemente, entre ambos e tomando-o plenamente como seu marido. Contudo, independentemente do comportamento da mãe para com a anterior mulher ou amante do pai, a filha pode livrar-se dessa identificação, logo que dela tome conhecimento, dizendo à sua mãe, mesmo que só interiormente:

“Você é minha mãe, e eu sou sua filha. Só você é a verdadeira para mim. Com a outra não tenho nada a ver.”
E dizendo a seu pai, mesmo que só interiormente:
“Esta é a minha mãe, e eu sou filha dela. Só ela é a verdadeira para mim. Com a outra não tenho nada a ver.”

Então a filha pode amar a mãe como sua mãe, e a mãe pode amar a filha como sua filha, sem recear nela a sua rival. Então a filha pode também voltar- se para o pai e amá-lo como seu pai, e o pai pode voltar-se para a filha a amá-la como sua filha, sem buscar nela também uma ex-mulher ou ex-amante.


O mesmo vale para o filho. A pressão que sofre, para representar por identificação um antigo marido ou amante da mãe, cede se seu pai presta reconhecimento ao ex-parceiro dela, na qualidade de parceiro anterior, e não obstante coloca-se conscientemente entre ambos, tomando-a plenamente como sua mulher. Mas, independentemente do comportamento do pai em relação ao ex-marido ou ex-amante de sua mulher, o filho pode livrar-se de sua identificação, logo que dela tome consciência, dizendo ao pai, mesmo que só interiormente:
“Você é meu pai e eu sou seu filho. Só você é o certo para mim. Com o outro, não tenho nada a ver.”

E dizendo à sua mãe, mesmo que só interiormente:
“Ele é meu pai e eu sou seu filho. Só ele é o verdadeiro para mim. Com o outro não tenho nada a ver.”

Então o filho pode voltar-se para seu pai e amá-lo como seu pai, e o pai pode voltar-se para seu filho e amá-lo como seu filho, sem recear nele um rival. Então o filho pode também voltar-se para sua mãe e amá-la como sua mãe, e a mãe pode voltar-se para o filho e amá-lo como seu filho, sem procurar nele seu antigo marido ou amante.


A identificação inconsciente com um antigo parceiro dos pais pode eventualmente levar a uma psicose, principalmente quando, na falta de uma moça disponível, um filho precise representar uma ex-parceira do pai, ou inversamente, quando uma filha, na falta de um rapaz disponível, precise representar um ex-parceiro da mãe."




"As Ordens do Amor" , Bert Hellinger, Editora Atman

O entrar e o sair de uma relação. Por Fatima Aguiar da Silva (Foto: Chello Fotógrafo/Futura Press/Estadão Conteúdo) Alguma...