Dupla transferência e interconexão dos sistemas:
"Muitas vezes, no sistema, tomamos partido de nossos ancestrais e, junto com isso, atraímos para nós, outros sistemas com destinos semelhantes". (Fátima A. da Silva)
Abram o seu coração e mergulhem no caso abaixo...
Vale a pena!
Veio ao consultório uma mulher casada, 35 anos. A cliente relatou um ódio desproporcional do marido, aparentemente sem um motivo real, pegando pequenas atitudes dele e transformando em algo "inadmissível" e "ofensivo" conforme palavras da própria cliente.
Por outro lado, não tinha coragem de se divorciar e nem de permanecer casada.
Ela disse que "simplesmente, não sei o que fazer".
Relatou a dificuldade em ficar perto do marido, em morar na mesma casa, abandonando o marido e se mudando para outra cidade, visitando-o periodicamente e fazendo promessas de que um dia eles morariam juntos outra vez, atitude que ela sempre adiava.
Na cidade atual a cliente se envolveu com um rapaz num relacionamento extra-conjugal, abortando,inclusive, espontaneamente um bebe do amante, segundo a cliente a relação também começou a demonstrar movimento de ódio, mesmo com ele sendo "o outro".
Além do seu sistema familiar, dentro da dinâmica, ela relatou uma preocupação e culpa, tanto com o marido, quanto com o amante:
O marido vive com problemas na coluna e estômago e apresentou problemas cardíacos em uma de suas visitas, ele diz que sonha com o dia em que ela, finalmente, irá morar outra vez com ele.
O amante desenvolveu câncer no estômago após o aborto espontâneo. Mesmo após seguidas tentativas de rompimento, o amante sonha com o dia em que ela finalmente se separá e viverá com ele e terão dois filhos (ou filhas).
Ao colocar o Marido e o amante, lá estava a cliente. imóvel, olhando para os dois, e dizia se sentir como um "pêndulo" ora para um lado, ora apar o outro.
Uma representante para a mãe não mudou muito a dinâmica.
Até que colocamos a avó.
Quando perguntamos o que aconteceu com a avó, a cliente contou a trajetoria.
A avó se casou com um homem que não foi aceito pela família de origem, sendo obrigada a mudar de cidade, a avó teria sido deserdada e um dos seus irmãos teria tomado para si qualquer direito que ela viesse a ter após o falecimento dos pais.
Durante o casamento, avó se submeteu durante anos a um caso extra conjugal do marido.
De acordo com os relatos de uma tia da cliente, ele sumia e voltava de tempos em tempos, ora ficava com a amante, ora com a mãe.
relatou inclusive que a amante teria batido a porta da avó para entregar o marido em uma de suas brigas.
Depois de uns anos nessa situação, a avó apresentou problemas mentais e foi internada em uma clínicas pela família, onde teria recebido choques, banhos gelados, medicamentos e nunca mais voltou a realidade, nos últimos anos de vida parecia sempre desconectada.
O avô passou o resto dos seus dias com a amante.
Os 3 morreram idosos, as mortes foram em sequencia:
A amante, o avô e avó , que na velhice chegaram a morar na mesma casa por um pouco de tempo, aos cuidados dos filhos.
Durante a constelação, foi constatada a lealdade da neta com a avó.
Desde a infância se sentia excluída da família.
Casou-se com um homem de outra cidade (causando afastamento físico de sua família)
A agressividade nos relacionamentos amorosos sempre fizeram parte da sua trajetória. Ficaram mais evidente após o casamento. A raiva tratava-se de uma identificação a dor da avó.
Em contrapartida, o adultério foi um movimento de amor e identificação com o avô.
Configurando assim a dupla transferência. Por amor a avó a cliente permanece com os dois e por amor ao avô ela espera que o destino (a doença da avó) leve um dos homens, assim ela não precisa decidir.
O final trágico da avó parece estar diretamente conectado também aos destinos dos homens com quem ela se envolveu.
Os homens que se relacionam com a cliente, também aceitaram o destino de doença como provável o final trágico. Esses reproduzidos e conectados pelo seu próprio meio familiar;
A cliente relatou uma devoção doentia e compulsiva tanto do marido,quanto do amante para com ela.
Os homens parecem estar conectados através das dores de seu próprio sistema.
No caso do marido, ela relatou que a sogra foi abandonada pelo sogro e afirmou que nunca superou o abandono, apresenta ideias fantasiosas de que um dia ele vai voltar. Mesmo tendo se casado com outra há mais de 25 anos.
A mãe do amante também teve um caso extra conjugal onde foi amante por anos, este teria sido o amor da vida dela.
Observamos como os destinos estão conectados e em como nós entramos em destinos semelhantes ao nosso.
Agora que foi trago a luz, a avó, o avô e a amante acolhidos e honrados no coração da cliente, a ordem foi estabelecida.
A cliente, foi pedido que espere até que a solução se manifeste.
É necessário um tempo para que o campo atue, mudando o destino dessas três pessoas.
Este foi um atendimento realizado em 17/07/2017 - na Cidade do Rio de Janeiro.

Nossa, que força e coragem.
ResponderExcluirGratidão por você fazer o que faz com tanto amor.